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Inteligência Artificial otimiza a construção civil e antecipa riscos

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

A Inteligência Artificial já faz parte da rotina da construção civil, com aplicações que vão de orçamentos, planejamento e cronogramas ao monitoramento de obras e pós-obra. A tecnologia contribui para aumentar a produtividade, reduzir retrabalhos, antecipar desvios e apoiar decisões mais assertivas.


Apesar dos avanços, a adoção ainda é desigual. Especialistas destacam que o principal desafio não está na tecnologia, mas na preparação das empresas, que exige estratégia de dados, governança e qualificação das equipes.

 

IA como ferramenta de decisão, não de substituição


Para a engenheira civil e mestre em Inovação na Construção Civil pela USP, Jéssica Dantas, a construção reúne características que tornam a IA especialmente relevante, como o grande volume de informações, processos fragmentados e muitas atividades repetitivas. “A IA começa justamente a transformar dados em informação e informação em decisão. Ela aumenta nossa capacidade de analisar, comparar, prever e decidir, mas a validação crítica continua sendo humana”, afirma Jéssica Dantas.


A inteligência artificial deve atuar como copiloto do engenheiro, sem substituir sua responsabilidade técnica. Segurança da informação, propriedade intelectual, confiabilidade e conformidade com a LGPD exigem supervisão profissional constante.


Segundo levantamento internacional da Autodesk, 32% das lideranças da construção em 28 países afirmam já ter alcançado ou estar próximas de atingir seus objetivos de implementação de IA, indicando o amadurecimento da tecnologia no setor.

 

Do canteiro ao pós-obra: onde a tecnologia já entrega resultados


As aplicações de IA já estão presentes em praticamente todo o ciclo de vida dos empreendimentos. Durante a obra, câmeras 360°, drones e outras tecnologias, combinadas à visão computacional, permitem comparar o avanço do canteiro com o modelo digital e o planejamento, facilitando a identificação de atrasos, desvios de produtividade e impactos nos custos. “Uma das grandes oportunidades de curto prazo é utilizar IA para reduzir o tempo que os engenheiros gastam procurando, organizando e consolidando informação. Isso libera mais tempo para aquilo que realmente exige conhecimento técnico e tomada de decisão”, explica Jéssica.


No pós-obra, a inteligência artificial também transforma a relação entre incorporadoras e clientes. Sistemas podem interpretar solicitações, identificar possíveis causas e encaminhar chamados automaticamente, tornando o atendimento mais ágil.


Segundo Jéssica, a análise conjunta desses dados permite identificar problemas recorrentes em fachadas, fornecedores ou sistemas construtivos, transformando o pós-obra em uma fonte estratégica de aprendizado para aprimorar futuros empreendimentos.

 

Desafio está na organização dos dados


Para Gabriel Falavina, vice-presidente da ADEMI-PR e diretor executivo da Altma Incorporadora, a maioria das empresas já utiliza inteligência artificial em algum departamento, mas a maturidade desse uso ainda é desigual. “É raro a empresa que trata a IA como estratégia, com prioridades definidas, base de dados organizada e alguém responsável pelo tema. Essa distância entre uso disperso e uso estruturado é o retrato mais honesto do setor neste momento”, avalia.


Uma incorporadora utiliza diferentes sistemas, como ERP, CRM, BIM, plataformas de obra e atendimento, além de planilhas. Sem integração e padronização, essas fontes podem gerar informações e indicadores divergentes.


A arquitetura integrada de dados reúne e organiza essas informações em uma base única, com regras de governança e indicadores compartilhados. Essa estrutura é essencial para que a IA gere previsões, automações e relatórios mais confiáveis. “A IA consome a camada tratada, nunca o sistema cru. Sem essa arquitetura, cada solução funciona como uma ilha. Com ela, cada nova aplicação nasce mais barata e mais rápida”, destaca Gabriel Falavina.

 

Pessoas continuam no centro da transformação


Apesar do avanço da IA e das automações, os especialistas destacam que a vantagem competitiva está na combinação entre tecnologia e capacitação profissional. Para Jéssica, o foco deve estar na formação de engenheiros preparados para utilizar a IA de forma ética, crítica e estratégica. “O profissional que conhece engenharia e sabe utilizar inteligência artificial provavelmente terá uma capacidade de análise e produtividade muito maior”, afirma.


Falavina acrescenta que a cultura organizacional tende a ser o fator decisivo nos próximos anos. Para ele, empresas que começam agora a estruturar seus dados acumulam um patrimônio difícil de ser reproduzido posteriormente. “O dado histórico não se compra. A empresa que começou a organizar sua base agora terá, em dois anos, um acervo que a concorrência não consegue adquirir. O aprendizado é organizacional e cultural”, conclui.

 

 
 
 

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