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Uso de agregado siderúrgico na pavimentação de vias

há 3 horas
3 min de leitura

Uma experiência realizada pelo DNIT na BR-259, no Espírito Santo, demonstrou que o uso de agregado siderúrgico em trecho não pavimentado gerou economia de 95% nos custos de manutenção ao longo de três anos, em comparação ao solo natural.


O caso foi apresentado durante a ABM Week 10, em São Paulo, na mesa-redonda sobre aplicação sustentável de materiais secundários em vias. O debate destacou que os agregados siderúrgicos podem contribuir para aumentar a durabilidade e melhorar a trafegabilidade das estradas, além de reduzir manutenções e a necessidade de extração de recursos naturais.


Para o trecho experimental da BR-259, o DNIT realizou levantamentos de campo e estudos laboratoriais para definir a composição adequada entre o solo local e o agregado siderúrgico. A aplicação também utilizou uma recicladora para agilizar a execução da camada de melhoramento da via.


O acompanhamento da pista demonstrou um potencial significativo de redução de custos. Em três anos, a manutenção de um trecho de 31 km em solo natural foi estimada em quase R$ 9 milhões. Já no trecho que recebeu agregado siderúrgico, os serviços necessários para corrigir defeitos somaram aproximadamente R$ 430 mil, evidenciando uma diferença expressiva nos gastos de manutenção.


Segundo Luciana Michèlle Dellabianca Araújo, assessora técnica do DNIT, parte dos problemas identificados no trecho experimental ocorreu porque a norma para esse tipo de aplicação ainda estava em desenvolvimento. Os aprendizados obtidos na primeira experiência estão sendo incorporados à especificação técnica, com o objetivo de aperfeiçoar a execução e melhorar a qualidade do serviço.


Estudos anteriores já haviam indicado o potencial do agregado siderúrgico para uso em bases e sub-bases de rodovias de alto tráfego. Agora, os estudos avançam para sua aplicação em estradas não pavimentadas, tendo a BR-259 como uma das experiências de referência.


Para Leila Kauffmann, a discussão promovida durante a ABM Week 10 aprofunda um tema estudado há mais de duas décadas: o aproveitamento de agregados provenientes da mineração e da siderurgia. Segundo a especialista, o avanço técnico, ambiental e regulatório pode ampliar o uso desses materiais na infraestrutura viária, inclusive no revestimento primário de estradas. A aplicação pode ser especialmente relevante em comunidades e áreas rurais, onde vias não pavimentadas costumam demandar intervenções frequentes de manutenção.


Para Leila, a utilização de materiais gerados pelos processos industriais pode reduzir a necessidade de extração de recursos naturais, ao mesmo tempo em que cria valor para materiais que anteriormente eram tratados como resíduos. “É um produto, não é mais um resíduo”, afirmou Leila, ao defender uma mudança de percepção sobre o agregado siderúrgico e seu potencial de aplicação.


Estudos e dados técnicos ajudam a esclarecer dúvidas sobre os possíveis impactos ambientais do agregado siderúrgico. No entanto, ainda existem desafios regulatórios, como as diferentes exigências entre os estados para procedimentos como o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR). Segundo Leila Kauffmann, ampliar o uso sustentável desses materiais exige maior articulação entre o setor privado e o poder público.


Além dos aspectos ambientais e regulatórios, o agregado siderúrgico pode trazer vantagens para a conservação das vias. Enquanto o solo natural sofre maior erosão com as chuvas e demanda recomposições frequentes, o agregado tende a oferecer maior resistência, aumentando o intervalo entre as manutenções e contribuindo para manter as condições de circulação. “Há um grande número de diferenças entre manter um padrão só com solo ou manter com esse melhoramento”, afirmou a especialista, ao comparar os custos de manutenção das duas alternativas no estudo apresentado.


Para Leila, o avanço da agenda depende agora da aproximação entre conhecimento técnico, experiências práticas e políticas públicas. A comissão deve continuar acompanhando projetos em desenvolvimento e identificando novas aplicações que possam contribuir para a preservação de ativos, redução de impactos ambientais e aproveitamento de materiais secundários. A perspectiva, segundo a moderadora, é ampliar a cooperação entre diferentes atores e consolidar soluções que já possuem respaldo técnico para que possam ser utilizadas de maneira mais ampla e sustentável.

 

 
 
 

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