Vendas avançam 1,8% e alcançam 15,9 milhões de toneladas no trimestre
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Segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, as vendas de cimento somaram 15,9 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, alta de 1,8% na comparação anual. Em março, o volume atingiu 5,8 milhões de toneladas, avanço de 9,1% sobre o mesmo mês de 2025.
O desempenho reflete um mercado de trabalho aquecido, com taxa de desemprego de 5,8%, a menor já registrada para fevereiro e 102,1 milhões de pessoas ocupadas. Com rendimento médio de R$ 3.679, houve fortalecimento da massa salarial e melhora na confiança do consumidor ao longo de março.
O bom desempenho do trimestre também foi impulsionado pelo mercado imobiliário e pelo programa Minha Casa Minha Vida, que já responde por 52% dos novos empreendimentos no país. Após a expansão de 13,5% nos lançamentos em 2025, a meta de alcançar três milhões de unidades até 2026 pode adicionar cerca de cinco milhões de toneladas à demanda por cimento. No cenário externo, as tensões entre Estados Unidos e Irã elevam a incerteza global, pressionando as cotações de petróleo, gás natural e derivados, com impactos diretos sobre toda a cadeia produtiva.
Para a indústria do cimento, o conflito adiciona pressão relevante sobre custos e logística. Cerca de 90% das matérias-primas e do produto é transportado por via rodoviária, o que torna o setor altamente sensível à alta do diesel e ao encarecimento do frete. Além disso, há impactos diretos nos custos de produção, especialmente em insumos como aditivos, explosivos e o coque de petróleo, principal fonte energética do processo produtivo.
Nesse contexto, o coprocessamento desponta como uma alternativa estratégica para diversificar a matriz energética do setor, reduzindo tanto a volatilidade no suprimento quanto a pegada de carbono. No Brasil, a tecnologia, que utiliza biomassas, resíduos industriais e Combustível Derivado de Resíduos Urbanos (CDRU), já alcança cerca de 30% de substituição térmica, evitando a emissão de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de CO₂ no último ano.
O Roadmap Net Zero 2050, lançado na COP30, segue avançando em frentes como matérias-primas e combustíveis alternativos, eficiência energética, soluções baseadas na natureza e captura e uso de carbono. Paralelamente, o setor atua junto ao Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria Extraordinária de Mercado de Carbono, na estruturação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões.
“Apesar de um início de ano com indicadores resilientes, a projeção para 2026 é de crescimento moderado. O desempenho do setor dependerá de aspectos internos, como inflação, taxa de juros e atividade econômica e de fatores externos, vinculados ao término do conflito e à durabilidade de seus reflexos. Se, por um lado, há um esforço na reindustrialização do país com programas governamentais em implantação, por outro, há iniciativas como a alteração da jornada de trabalho que, sem a necessária análise técnica, são agravadas por acontecerem em um período pré-eleitoral. Ademais, a regulamentação do tabelamento do frete sem aprofundamento técnico necessário afeta a estabilidade, a previsibilidade e a retomada do crescimento da indústria brasileira”, disse Paulo Camillo Penna, Presidente do SNIC.
































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