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Com mercado aquecido, vendas de cimento crescem 1,1%

  • 2 de mar.
  • 3 min de leitura

O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) informou que o setor comercializou 5,3 milhões de toneladas em janeiro de 2026, volume 1,1% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior e 8% acima do observado em dezembro de 2025.


O desempenho reflete, sobretudo, o aquecimento do mercado de trabalho e o avanço da renda da população, que permanecem como principais motores do consumo. A taxa de desemprego encerrou o ano em 5,1%, o menor nível desde 2012, enquanto a população ocupada atingiu o recorde de 103 milhões de pessoas.


A renda média chegou a R$ 3.560, acima dos R$ 3.368 registrados em 2024, impulsionando a massa salarial ao maior patamar da série histórica. Já o emprego formal alcançou 38,9 milhões de postos, contribuindo para a redução da informalidade para 38,1%.


Nesse contexto, a confiança da construção atingiu o maior patamar desde março de 2025, impulsionada pelo avanço dos investimentos em infraestrutura, pelo volume recorde de contratações do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e pelas novas regras de financiamento voltadas aos segmentos de média e alta renda.


Até setembro do ano passado, os lançamentos do MCMV cresceram 7,9%, enquanto as vendas avançaram 15,5%, consolidando o programa como um dos principais vetores do setor. A expectativa é alcançar a marca de 3 milhões de unidades contratadas até o fim de 2026. A indústria iniciou janeiro em recuperação, revertendo o pessimismo observado no encerramento do ano anterior, com sinais de melhora na demanda e maior giro dos estoques.


Apesar desse ambiente mais favorável, persistem desafios relevantes. A manutenção da taxa Selic em 15% ao ano e o elevado endividamento das famílias, que atingiu 49,77% em novembro, continuam pressionando o consumo. A confiança do consumidor recuou em janeiro, após quatro altas consecutivas, refletindo o impacto dos juros elevados e da inadimplência, que já alcança 81,2 milhões de brasileiros. Soma-se a isso a escassez de mão de obra na construção, que segue como um gargalo estrutural para 2026.


No campo da sustentabilidade, o setor mantém como prioridade a regulamentação do mercado de carbono, por meio do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), além da continuidade dos investimentos voltados ao ganho de competitividade e à redução da pegada de carbono na indústria do cimento. Nesse contexto, a retomada de instrumentos fiscais, como a Depreciação Acelerada, vigente em 2024 e 2025, é considerada estratégica para estimular a modernização do parque industrial e acelerar a adoção de tecnologias mais eficientes.


Alinhada às metas de descarbonização previstas no Plano Clima, a indústria do cimento exerce papel protagonista na transição para uma economia de baixo carbono. O setor vem integrando diferentes estratégias de mitigação, como a ampliação do uso de matérias-primas alternativas e de combustíveis derivados de resíduos, reduzindo a intensidade de emissões no processo produtivo.


Entre essas frentes, as remoções de carbono por meio de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) ganham relevância no contexto brasileiro, dadas as condições favoráveis de clima e biodiversidade do país. Iniciativas como reflorestamento e restauração de biomas, destinadas à compensação de emissões residuais, são fundamentais para o cumprimento dos compromissos climáticos nacionais e para o avanço consistente da descarbonização industrial.


“Iniciamos 2026 com a confiança da construção em seu melhor momento dos últimos dez meses. O mercado de trabalho se mantém resiliente e a renda em alta formam uma base sólida, mas ainda enfrentamos desafios fiscais e juros elevados, que penalizam o crédito imobiliário e o consumo das famílias. Nossa expectativa recai sobre o início e redução consistente da Selic, além da manutenção dos investimentos em infraestrutura”, disse Paulo Camillo Penna – Presidente do SNIC.

 

 
 
 

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