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Pesquisa global apresentada no Brasil mostra apoio empresarial à eletrificação acelerada

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Uma pesquisa global com 1.994 líderes empresariais de 18 países aponta forte apoio do setor privado à aceleração da eletrificação da economia. Os dados fazem parte do relatório “Powering Up: Business Perspectives on Electrification”, lançado simultaneamente em diversos países, incluindo o Brasil, em 15 de junho de 2026.


No país, 92% dos executivos entrevistados afirmam que a eletrificação tornará suas empresas mais competitivas, enquanto 96% acreditam que ela impulsionará o crescimento dos negócios. O levantamento também associa a eletrificação a avanços em segurança energética, inovação e crescimento econômico.


A pesquisa ouviu representantes de organizações de médio e grande porte, com receita anual de pelo menos US$ 1 milhão, e foi encomendada pela E3G, pela We Mean Business Coalition e pela Global Renewables Alliance (GRA).

 

Mobilização do setor de energias renováveis em torno da eletrificação 


Os resultados do estudo reforçam a mobilização do setor de energias renováveis em favor da eletrificação limpa no Brasil. Um exemplo foi a entrega, em maio, de uma carta do movimento Eletrifica Brasil aos futuros candidatos à Presidência da República, propondo a substituição dos combustíveis fósseis por eletrificação com fontes renováveis, além de avanços em transmissão, armazenamento de energia e integração entre as políticas energética e industrial.


Para Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e do Comitê de Mobilização do Setor de Renováveis da Global Renewables Alliance (GRA), o relatório oferece subsídios importantes para ampliar a participação do setor privado na expansão das energias renováveis no país.


“O Brasil reúne condições únicas para liderar a eletrificação e a descarbonização da economia, graças à sua matriz elétrica limpa e competitiva, à abundância de recursos renováveis e à capacidade de atrair investimentos em infraestrutura. Essas características geram um importante bônus social, ao garantir acesso à energia renovável para 97% da população por meio do Sistema Interligado Nacional (SIN), e um estratégico bônus verde, ao viabilizar a produção de bens e serviços de baixo carbono e alto valor agregado, como data centers sustentáveis, hidrogênio verde e processos industriais eletrificados.


O desafio agora é transformar essas vantagens comparativas em vantagens competitivas, por meio de políticas públicas e ações concretas que acelerem a eletrificação e a descarbonização da economia, fortaleçam a competitividade do país e impulsionem o desenvolvimento econômico e social”, diz Gannoum.  Para Natalia Oliveira, Head de Policy and Advocacy para a América Latina na GRA, os dados revelados pela pesquisa geram maior confiança interna para “o Brasil transformar sua matriz elétrica renovável em uma vantagem competitiva global. A eletrificação limpa pode impulsionar a indústria, atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer a segurança energética do país”. 


A pesquisa da E3G, We Mean Business Coalition e Global Renewables Alliance (GRA) mostra que executivos veem a eletrificação limpa como uma estratégia essencial para fortalecer a segurança energética, aumentar a competitividade e impulsionar o crescimento econômico. Para Lieven Cooreman, CEO da Atlas Agro, fabricante de fertilizantes produzidos com energia renovável, a eletrificação é um fator estratégico para impulsionar a reindustrialização de baixo carbono em segmentos de difícil descarbonização.


“A eletrificação é um vetor estratégico para a reindustrialização de baixo carbono em setores de difícil descarbonização, como fertilizantes e aço. No projeto Uberaba Green Fertilizer demonstramos que é possível substituir o gás natural por eletricidade renovável na produção de fertilizantes nitrogenados com competitividade econômica. Essa tecnologia abre caminho para uma nova indústria baseada em energia limpa, reduz emissões e fortalece a segurança alimentar e a posição do Brasil no mercado global”. João Brito Martins, CEO da EDP na América do Sul, também ressalta o potencial do Brasil para acelerar a eletrificação.


“O Brasil é um exemplo de que é possível ter um sistema elétrico renovável, robusto e seguro. Essa é uma grande vantagem para sua economia, que pode ser ainda mais potencializada com o avanço da eletrificação. Ao continuar investindo no fortalecimento de suas redes e manter uma matriz elétrica majoritariamente renovável, o Brasil pode se posicionar globalmente como uma economia que faz da transição energética um de seus principais diferenciais competitivos”.

 

Brasil lidera em renováveis, mas enfrenta gargalo de demanda 


Com uma matriz elétrica predominantemente renovável e a expansão das fontes eólica e solar, o Brasil reúne condições favoráveis para acelerar a eletrificação da economia. Embora a eletricidade represente cerca de 20% do consumo final de energia, patamar semelhante ao da União Europeia, o percentual ainda está distante da meta nacional de 81% até 2055.


O estudo também destaca que a volatilidade dos preços do petróleo e as tensões geopolíticas reforçam a eletrificação renovável como estratégia para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. Entre os executivos brasileiros, 74% consideram essa dependência excessiva e 86% defendem que o cenário internacional torna a eletrificação limpa ainda mais urgente.

 

 Setor empresarial vê infraestrutura e planejamento como prioridades 


A segurança energética é apontada como o principal benefício da eletrificação pelos executivos brasileiros: 85% preferem investir em fontes renováveis em vez de combustíveis fósseis. No cenário global, 91% acreditam que a eletrificação fortalecerá a segurança energética e 90% esperam ter suas operações eletrificadas na próxima década.


No Brasil, 96% defendem a modernização da infraestrutura elétrica, 89% apoiam a digitalização da rede e 91% acreditam que esses investimentos reduzirão os custos da energia no longo prazo. Entre as principais demandas ao poder público estão planejamento de longo prazo, redução das tarifas de eletricidade e incentivos para a aquisição de equipamentos.

 

Barreiras e incertezas colocam em risco a aceleração da eletrificação 


O estudo aponta que a incerteza regulatória e as barreiras de mercado já comprometem o avanço da eletrificação. No Brasil, 52% dos executivos afirmam que suas empresas adiaram ou cancelaram projetos por esses motivos.


Além disso, 75% dizem que as frequentes mudanças nas políticas públicas influenciam suas decisões de investimento, e 79% avaliam que a eletrificação avança mais rápido do que a capacidade de adaptação da infraestrutura e das instituições. Globalmente, 72% defendem políticas públicas mais alinhadas a essa agenda, enquanto 62% consideram transferir operações para países com ambiente mais favorável à eletrificação.

 

 
 
 

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