Controle térmico do concreto massa avança com planejamento aprimorado
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Por muito tempo, o controle térmico do concreto massa foi tratado como uma preocupação exclusiva de grandes volumes e obras de infraestrutura pesada. Esse cenário, porém, vem mudando. Em edificações urbanas, blocos de fundação de pequeno e médio porte têm apresentado riscos térmicos significativos quando não avaliados ainda na fase de projeto.
Nos últimos anos, o principal avanço no setor não esteve ligado a uma tecnologia específica, mas à maior maturidade técnica do mercado. A ampliação dos estudos prévios, aliada ao monitoramento mais criterioso, tem permitido decisões mais assertivas, mitigação de fissuras térmicas e ganhos diretos em desempenho e durabilidade das estruturas.
“Hoje existe um entendimento mais claro, principalmente nas grandes metrópoles, de que o controle térmico deve começar ainda na fase de projeto, passando pela escolha dos materiais, definição do traço, estudos térmicos computacionais e planejamento executivo da concretagem”, afirma.
Avaliação prévia do risco térmico ganha protagonismo
Um dos avanços recentes apontados por Bruno Pessoa é o desenvolvimento de ferramentas simplificadas para a avaliação preliminar do risco térmico, voltadas a projetistas e engenheiros de obra. A iniciativa permite análises antecipadas e decisões mais assertivas ainda na fase de planejamento, antes do início da execução.
“Apesar do aumento do interesse de construtoras e incorporadoras, ainda existem muitas dúvidas sobre quais elementos devem ser caracterizados como concreto massa. Blocos de fundação de pequeno e médio porte, por exemplo, costumam ser negligenciados”, explica.
Bruno Pessoa é autor de um artigo técnico em que propõe um diagrama para estimativa expedita do risco térmico em blocos de fundação. A ferramenta permite antecipar diretrizes de projeto e avaliar riscos antes da concretagem, oferecendo uma solução prática para uma lacuna comum no cotidiano das obras.
Além do avanço conceitual, o engenheiro destaca o movimento das concreteiras no desenvolvimento de produtos voltados a elementos com maior potencial de acúmulo térmico. Soma-se a isso a ampliação do uso de sistemas de monitoramento térmico em tempo real, hoje mais acessíveis, que permitem acompanhar a evolução da temperatura durante a cura, apoiar decisões em campo e reduzir o risco de fissuração térmica.
Gelo, agregados resfriados ou nitrogênio líquido?
Entre as soluções disponíveis para controle térmico do concreto massa, todas têm como objetivo reduzir a temperatura inicial do concreto, mas apresentam diferenças significativas em eficiência, custo e logística.
O uso de gelo, por meio da substituição parcial da água de amassamento, é a alternativa mais comum no Brasil. Segundo Pessoa, trata-se de uma solução simples, amplamente disponível e de custo relativamente baixo.
As soluções para controle térmico do concreto massa têm como objetivo comum reduzir a temperatura inicial do material, mas variam em eficiência, custo e logística. No Brasil, a alternativa mais utilizada é a adição de gelo em substituição parcial à água de amassamento. Segundo Pessoa, trata-se de uma solução simples, amplamente disponível e com custo relativamente baixo.
“Quando bem controlado, o uso de gelo permite reduções típicas entre 5 e 12 °C na temperatura inicial do concreto. Em contrapartida, exige rigor no controle do teor de água e impacta a operação da central, já que a adição costuma ser manual”, ressalta.
O resfriamento de agregados, comum em outros países, ainda não é adotado de forma sistemática no Brasil. Práticas como aspersão de água e sombreamento do agregado graúdo são utilizadas, mas têm efeito limitado e atuam, em geral, apenas como complemento ao uso de gelo.
Já o nitrogênio líquido apresenta o maior potencial de redução térmica, com quedas rápidas da temperatura inicial, muitas vezes superiores a 20 °C. Contudo, o alto custo, a logística especializada, as exigências de segurança e a baixa disponibilidade restringem sua aplicação a situações específicas, segundo Pessoa.
“Na prática, o nitrogênio líquido tem o maior potencial de resfriamento, mas o gelo ainda apresenta o melhor equilíbrio entre eficiência, custo e viabilidade operacional na maioria das obras”, resume.
Experiências com controle térmico
Bruno Pessoa relata casos em que o controle térmico foi determinante para o desempenho do concreto, especialmente em blocos de fundação de edifícios. A limitação da temperatura inicial, aliada ao planejamento da concretagem e à estratégia de cura, resultou em estruturas sem fissuração térmica aparente e com picos inferiores a limites críticos, como 65 °C. Na prática, porém, os maiores problemas nem sempre estão nos blocos de grandes dimensões.
“Em grandes volumes, o risco térmico geralmente é reconhecido desde o início e há abertura para estudos específicos. Os problemas mais recorrentes aparecem em blocos de menor porte, tratados como elementos convencionais apenas por não terem grandes volumes”, observa.
Ainda é comum a percepção de que apenas elementos acima de 100 m³ configuram concreto massa. Contudo, blocos com mais de 1,0 m de altura, mesmo com menor volume, podem apresentar gradientes térmicos significativos e atingir temperaturas superiores a 65 °C, conforme o consumo de cimento e o calor de hidratação.
“É justamente nesses elementos que observo com mais frequência problemas de origem térmica, quase sempre associados à ausência de uma avaliação prévia do risco térmico ainda na fase de projeto ou de planejamento da concretagem”, comenta Pessoa.
Controle térmico como estratégia de durabilidade
O controle térmico vai além da prevenção de fissuras iniciais: ele impacta diretamente a durabilidade e reduz a necessidade de manutenção futura. Ao limitar a fissuração precoce, diminui-se a permeabilidade e a entrada de agentes agressivos.
Temperaturas elevadas nas primeiras idades também aumentam o risco de etringita tardia (DEF), que pode causar expansões internas, fissuração progressiva e perda de desempenho mecânico. Por isso, o controle térmico é uma estratégia essencial para garantir desempenho e vida útil da estrutura.
































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