Migração para o mercado livre ganha força entre cerâmicas e siderúrgicas
- trapichedperrone
- 9 de jan.
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Segundo o relatório “Ainda em aceleração?”, da Wood Mackenzie, o mercado brasileiro de gás natural para uso industrial segue rompendo patamares e alcançou um marco histórico: 13,3 milhões de metros cúbicos por dia consumidos até setembro de 2025. O avanço é impulsionado pela liberalização do mercado, que vem remodelando de forma estrutural o cenário energético do país.
A migração para o mercado livre de gás, que já envolve 68 empresas industriais, representa uma transformação sem precedentes no setor. Desse total, as grandes indústrias concentram mais de 8,7 milhões de m³/dia, evidenciando um elevado grau de concentração entre os principais consumidores.
“O Brasil demonstra como a liberalização do mercado pode catalisar mudanças estruturais rápidas”, disse Lucas Rego, analista de gás da Wood Mackenzie. “A migração ganhou força significativa no quarto trimestre de 2024 e no primeiro trimestre de 2025, quando os maiores consumidores industriais iniciaram sua transição. Os volumes aumentaram drasticamente durante esse período, antes de se estabilizarem em um ritmo constante de aproximadamente 0,6 milhões de metros cúbicos por mês”.
O setor de cerâmica liderou o movimento de migração, respondendo por 40% das empresas que fizeram a transição para o mercado livre de gás e por uma demanda de 3,3 milhões de m³ por dia. O setor siderúrgico apresenta volume equivalente, também de 3,3 milhões de m³/dia. Juntos, esses dois segmentos concentram cerca de metade de todo o volume migrado das Distribuidoras Locais de Gás (LDCs) para o mercado livre.
O cenário competitivo é marcado por forte concentração em três grandes fornecedoras. A Petrobras lidera, com 25 contratos direcionados estrategicamente a grandes clientes industriais. A Galp assegurou 21 contratos, com foco em pequenas e médias empresas. Já a Edge construiu um portfólio equilibrado, com 18 contratos distribuídos entre diferentes perfis de consumo. Em conjunto, essas três empresas detêm 67% da participação no mercado livre de gás natural industrial.
A região Sudeste concentrou 89% dos volumes do mercado livre oriundos de países em desenvolvimento, consolidando-se como o principal campo de disputa competitiva entre os fornecedores. Analistas do setor avaliam que a região Sul deverá emergir como o próximo foco estratégico de expansão. Já o Nordeste enfrenta barreiras de entrada mais elevadas, em razão de níveis de preços estruturalmente mais competitivos, que reduzem o espaço para novos entrantes.
"Com a maioria dos contratos atualmente com duração de até três anos e a migração de clientes em curso, a concorrência entre fornecedores está prestes a se intensificar significativamente", acrescentou Rego. "Este ainda é um mercado em amadurecimento e esperamos ver estratégias cada vez mais sofisticadas à medida que os fornecedores disputam relacionamentos de longo prazo com os clientes”.
A análise evidencia um padrão marcante de concentração: embora a maioria dos contratos esteja situada na faixa de até 0,1 Mcmd, esses acordos de menor porte representam apenas uma parcela reduzida do volume total de 13,3 milhões de m³ por dia movimentados no mercado livre. O dado reforça a percepção de que os grandes consumidores industriais são os principais vetores da transformação em curso. Essa participação se distribui por diversos segmentos da indústria, incluindo construção, mineração, refino, fertilizantes, papel e celulose, produtos químicos e a fabricação de vidro.
































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