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Brasil desponta como potencial líder na transição energética

  • trapichedperrone
  • 23 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura
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Na COP30, que coloca o Brasil no centro das discussões globais sobre clima e transição energética, o país se vê diante de uma oportunidade que vai muito além dos compromissos diplomáticos: demonstrar capacidade de executar aquilo que o mundo ainda debate. Mais do que discursos, o planeta espera do Brasil projetos concretos, entregas efetivas e liderança técnica na construção de uma economia mais limpa e sustentável.


A mineração brasileira ocupa um papel estratégico nesse processo. A transição energética exige acesso responsável a minérios como lítio, cobre, níquel e terras raras, insumos essenciais para baterias, turbinas e diversas tecnologias de baixo carbono. O Brasil reúne vantagens únicas: dispõe desses recursos, conta com uma matriz energética majoritariamente renovável e possui um ecossistema industrial em expansão. O que ainda nos distância do protagonismo global não é o potencial, e sim a capacidade de transformar intenção em entrega.


Falo com a convicção de quem vivenciou de perto os dilemas e as transformações dessa indústria. Passei grande parte da minha trajetória profissional em ambientes industriais, da siderurgia ao papel e celulose e mais de doze anos dedicados à mineração. Acompanhei seus impactos, aprendi com seus desafios e testemunhei episódios que marcaram profundamente o setor, especialmente os desastres de Fundão e Brumadinho.


Esses episódios deixaram marcas profundas, mas também um legado de aprendizado coletivo: a compreensão de que engenharia, governança e responsabilidade social precisam caminhar lado a lado. Aprendi, na prática, que sustentabilidade não é um objetivo distante, mas um método de decisão, uma forma de pensar, planejar e agir em todas as etapas de um projeto.


Projetos sustentáveis não surgem por decreto, mas da combinação entre rigor técnico, visão sistêmica e coragem para inovar. Ser sustentável é, antes de tudo, um exercício de excelência em gestão. Exige rastreabilidade avançada, digitalização de processos, uso inteligente de dados, mitigação contínua de riscos e integração plena entre as dimensões econômica, ambiental e social. É essa abordagem que permite transformar setores intensivos em recursos, como mineração, siderurgia, papel e celulose, química e óleo e gás, em verdadeiros vetores de desenvolvimento sustentável.


Acredito que a sustentabilidade deve ser entendida como parte integral do desempenho das organizações. O resultado econômico e financeiro de uma empresa está diretamente conectado ao seu desempenho ambiental e social. Reconhecer os impactos, reduzi-los por meio de tecnologia e boa gestão, e maximizar os benefícios coletivos gerados por cada atividade, esse é o caminho para um novo modelo de desenvolvimento industrial, ao mesmo tempo mais responsável e mais competitivo.


O Brasil reúne todos os elementos necessários para liderar essa agenda: recursos naturais abundantes, capital humano qualificado, energia limpa e uma base industrial em transformação. Falta dar o passo que realmente nos distingue: executar com excelência. Ser referência global em transição energética não é fruto apenas de vontade política ou de discursos inspiradores, mas da capacidade de entregar projetos bem estruturados, conduzidos por profissionais preparados, sustentados por instituições sólidas e por uma engenharia que honre sua vocação transformadora.


A COP30 será um marco de compromissos. Mas o verdadeiro legado brasileiro dependerá de quem souber converter compromissos em entregas. E acredito que o Brasil, com sua inteligência, criatividade e capacidade de execução, pode e deve liderar não apenas o discurso da transição energética, mas a engenharia que a torna possível.


 
 
 

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