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Nova norma estabelece parâmetros para argamassas de hidratação controlada

  • trapichedperrone
  • 23 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

A 66ª edição do Congresso Brasileiro do Concreto (IBRACON) apresentou, durante o Seminário de Argamassas, a NBR 17218:2024, primeira norma brasileira voltada exclusivamente às argamassas de hidratação controlada (AHC), anteriormente chamadas de argamassas estabilizadas.


Lançada oficialmente em dezembro de 2024, a publicação estabelece diretrizes fundamentais para a coleta, o transporte, o recebimento e a homogeneização de amostras destinadas a ensaios, marcando o início da padronização de um produto já amplamente utilizado nos canteiros, mas até então sem um referencial normativo específico.


Durante a apresentação no congresso, a engenheira e professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Fernanda Nepomuceno Costa, uma das responsáveis pela elaboração do documento, destacou que a norma surge como um marco regulatório. “A NBR 17218 nasceu porque o produto já é uma realidade consolidada nas obras. As construtoras e fabricantes perceberam ganhos expressivos em produtividade, redução de desperdício e uniformização do material”, afirmou. 


Segundo Fernanda, o novo texto também busca alinhar a terminologia técnica: o termo “hidratação controlada” substitui “estabilizada” por representar de forma mais precisa o funcionamento do sistema. “A reação do cimento é temporariamente bloqueada por aditivos, permitindo que a argamassa permaneça utilizável por períodos que variam de 12 a 72 horas, sem perda de desempenho”, explicou.


Apesar de concisa, com apenas quatro páginas, a norma introduz conceitos importantes para o controle de qualidade, como a definição de lâmina de água e de impurezas não pertencentes à argamassa. Também incorpora parâmetros essenciais, entre eles tempo de início de uso, prazo de uso e janela de utilização, que passam a ser exigidos nas notas fiscais. Esses parâmetros reforçam a rastreabilidade do produto e contribuem para evitar o consumo fora do prazo recomendado, uma ocorrência ainda frequente em obras com alto volume de produção. “O objetivo é dar segurança técnica tanto para o fabricante quanto para o aplicador. A rastreabilidade é fundamental para que se possa identificar a origem e o comportamento do material em cada etapa”, reforçou Fernanda.


A palestrante também ressaltou que a publicação é apenas o primeiro passo de um processo de construção normativa mais amplo. “Ainda temos lacunas a preencher. Faltam diretrizes para a estocagem nas obras, para os ensaios de consistência e para o momento ideal de moldagem dos corpos de prova. É preciso criar um ecossistema normativo completo para garantir desempenho e segurança”, observou. 


Ela também defendeu o fortalecimento do diálogo entre pesquisadores, fabricantes e construtoras como forma de acelerar os avanços técnicos, e destacou a importância de formar comissões complementares capazes de desenvolver novos documentos, incluindo normas específicas para chapisco e aplicações em campo.

 

 

Aplicações na Alvenaria


No mesmo seminário, Elaine Guglielmi Pavei Antunes, professora e doutora da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), apresentou a palestra “Argamassa de Hidratação Controlada: Aplicações na Alvenaria”, em que abordou o uso do produto em sistemas de alvenaria estrutural e de vedação.


Elaine explicou que a AHC, produzida em concreteiras e armazenada em reservatórios no canteiro, pode ser utilizada por períodos prolongados, de 8 a 72 horas, conforme a especificação do fabricante, oferecendo maior flexibilidade de execução, além de favorecer o controle e o desempenho das alvenarias.


“O uso da argamassa de hidratação controlada é uma resposta às novas demandas do mercado. Diante da escassez de mão de obra e da necessidade de padronizar o desempenho das alvenarias, esse tipo de material garante qualidade e constância no canteiro”, destacou. Ela também detalhou como a AHC impacta diretamente no comportamento físico e mecânico da alvenaria, contribuindo para o isolamento térmico e acústico, além de reduzir a ocorrência de fissuras. “Quando aplicamos corretamente, conseguimos melhores resultados em segurança estrutural, conforto e eficiência. É um avanço técnico e produtivo para o setor”, afirmou.


Sobre a importância da normalização, Elaine destacou que a NBR 17218 estabelece as bases para a consolidação de uma cadeia produtiva mais segura e eficiente. “As normas traduzem o que há de melhor entre a pesquisa e a prática. Elas definem o mínimo necessário, mas o engenheiro pode e deve ir além”, afirmou.


Segundo ela, o desafio agora é ampliar o escopo normativo, incorporando novos parâmetros de desempenho e de controle tecnológico, de forma a acompanhar a evolução das aplicações e das demandas do setor. “Estamos em um momento de transição. A norma trouxe organização, mas ainda precisamos de instrumentos complementares que orientem desde o recebimento da argamassa até sua aplicação final”, completou.


As duas palestrantes concordaram que a argamassa de hidratação controlada representa uma tendência irreversível no setor, por combinar tecnologia, sustentabilidade e produtividade. Ao reduzir desperdícios e retrabalhos, o sistema contribui diretamente para a racionalização dos processos construtivos e para a diminuição das emissões de CO₂ associadas à produção e ao uso de materiais.

 

 
 
 

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