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Brasil reúne base mineral diversificada e desafios estratégicos em refino e manufatura

  • há 7 horas
  • 2 min de leitura

Segundo o estudo Brasil na Era dos Minerais Críticos: Potencial, Desafios e Rotas para o Protagonismo”, realizado pela PwC Brasil, o país concentra cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, mas responde por apenas 1% da produção global. Esse descompasso evidencia o desafio central de converter o expressivo potencial geológico em protagonismo industrial. Embora o Brasil possua uma base mineral diversificada, sua inserção nas cadeias globais de valor de minerais críticos, insumos estratégicos para a transição energética, como lítio, níquel, grafita e terras raras, ainda é limitada.


A transição energética e a crescente disputa global por autonomia tecnológica vêm impulsionando uma demanda sem precedentes por minerais estratégicos. Projeções da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a demanda por lítio pode aumentar até 42 vezes até 2040, enquanto grafita, cobalto e níquel devem registrar expansões entre 20 e 25 vezes. Nesse contexto, o Brasil desponta como um fornecedor estratégico, ao reunir reservas expressivas de níquel, manganês, nióbio, grafita e lítio, além de contar com uma matriz energética predominantante renovável, fator competitivo relevante na agenda de descarbonização.


“O País tem todas as condições para se posicionar como líder global na nova economia verde, desde que avance em infraestrutura, tecnologia e regulação. A oportunidade é transformar o papel de exportador de commodities em referência em inovação e sustentabilidade”, afirma Daniel Martins, sócio e líder da indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública da PwC Brasil.


O estudo destaca, ainda, que o Brasil permanece concentrado nas etapas de menor valor agregado da cadeia produtiva, enquanto os elos de refino, transformação química e manufatura avançada seguem pouco desenvolvidos. Essa assimetria se reflete em diferenças expressivas de retorno econômico: enquanto uma tonelada de espodumênio, lítio em estado bruto, é exportada por cerca de US$ 800, o hidróxido de lítio grau bateria pode ultrapassar US$ 8.000 por tonelada. Entre os principais gargalos identificados estão a escassez de plantas de refino, entraves burocráticos e a ausência de uma política industrial estruturada, conforme aponta o estudo da PwC.


Em contrapartida, o país reúne vantagens competitivas relevantes, como relativa estabilidade institucional, uma base mineral diversificada e experiência consolidada em setores eletrointensivos, atributos que podem ser mobilizados para a inserção do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia de minerais críticos.


O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) estima cerca de R$ 100 bilhões em investimentos no setor entre 2025 e 2029. O relatório destaca, nesse contexto, projetos que já quadruplicaram a produção em Minas Gerais, além de novos aportes voltados à ampliação da capacidade produtiva. O dinamismo do mercado de fusões e aquisições (M&A) reforça esse movimento. Segundo estudo da PwC Brasil, as transações no setor de mineração no país cresceram, em média, 26% ao ano entre 2021 e 2024, impulsionadas pela intensificação da demanda global por minerais estratégicos. Diante desse cenário, o relatório da PwC Brasil propõe um conjunto de estratégias para que o Brasil converta seu potencial em liderança global, incluindo a criação de polos industriais de refino e manufatura, a ampliação de linhas de financiamento específicas, como as do BNDES e da Finep, o fortalecimento de uma regulação estável e a promoção de parcerias internacionais com países como Estados Unidos, Alemanha e Japão.


 
 
 

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