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NOTÍCIAS TRAPICHE

Durabilidade do concreto exige controle térmico e formulações bem ajustadas

  • trapichedperrone
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

A formação de etringita tardia, conhecida como DEF (Delayed Ettringite Formation), permanece entre os fenômenos mais estudados da patologia das estruturas de concreto, devido ao seu potencial de comprometer a integridade e a vida útil das obras, especialmente quando não há controle térmico adequado.


A durabilidade do concreto está diretamente relacionada ao controle da temperatura durante a cura, sobretudo em elementos estruturais de grande volume. Embora a geração de calor seja inerente ao processo de hidratação do cimento, a elevação excessiva da temperatura pode desencadear manifestações patológicas graves, como a DEF. Quando o concreto atinge temperaturas superiores a cerca de 65 °C, cria-se um ambiente favorável à formação de etringita tardia, que pode provocar fissuração e danos estruturais anos após a execução da obra.


Segundo Jorge Christófolli, gerente de Desenvolvimento Técnico da Cia de Cimento Itambé, concretos com potencial para desenvolver esse tipo de patologia exigem cuidados especiais desde a fase de formulação, com foco no controle térmico e na escolha adequada dos materiais. “A empresa emprega modelos e algoritmos matemáticos para prever o comportamento térmico em elementos volumosos, garantindo que o pico de temperatura não exceda valores críticos. Se isso ocorrer, a estrutura pode sofrer expansões internas que comprometem sua integridade ao longo dos anos”, observa.


Em concretagens realizadas em clima quente, o risco de problemas se intensifica, pois o concreto em estado fresco pode chegar à obra já em condições térmicas desfavoráveis, elevando a probabilidade de fissuração e de perda de desempenho ao longo da vida útil da estrutura.


Nessas situações, medidas como o resfriamento dos materiais, o controle do transporte e um planejamento rigoroso da concretagem tornam-se indispensáveis.


As práticas adotadas pela Concrebras, empresa do grupo, incluem formulações de concreto que equilibram resistência mecânica, módulo de elasticidade e relação água/aglomerante, ao mesmo tempo em que reduzem o calor de hidratação, mitigando os riscos associados às altas temperaturas.


“Quando essas medidas não são suficientes, a empresa adota técnicas complementares, como o uso de gelo ou nitrogênio líquido durante a mistura, diminuindo significativamente o pico térmico. Os equipamentos de monitoramento instalados na obra asseguram que os limites estabelecidos no projeto não sejam ultrapassados”, informa.


Jorge Christófolli destaca que o planejamento logístico é igualmente determinante, abrangendo desde a velocidade de descarga dos caminhões até a programação da concretagem em dias consecutivos, especialmente quando o volume de concreto supera a capacidade da central. Essa situação é comum em grandes concretagens em centros urbanos, onde há restrições de horário para execução das obras.


Para garantir a continuidade da peça estrutural e evitar a formação de juntas de concretagem, as camadas de interface entre o término de um dia e a retomada no dia seguinte precisam ser estabilizadas. Para isso, utilizam-se aditivos estabilizantes de pega, que mantêm o concreto em estado plástico na região de interface, permitindo uma ligação eficiente e homogênea com o concreto lançado posteriormente.


Segundo Christófolli, a combinação entre formulações adequadas, com adições especiais para redução do calor de hidratação, controle térmico e monitoramento contínuo é fundamental para assegurar a durabilidade das estruturas. Para ele, o sucesso de uma concretagem depende, acima de tudo, de uma preparação minuciosa.


“Todas as medidas tomadas na fase de planejamento são fundamentais, porque garantem que a obra seja executada sem intercorrências e que a estrutura alcance o desempenho esperado, sem comprometer sua qualidade ao longo do tempo”, esclarece.


O especialista ressalta que, sem esses cuidados, o risco de manifestações patológicas aumenta significativamente, sobretudo em concretagens realizadas sob condições climáticas adversas ou que envolvem grandes volumes de concreto.

 

Durabilidade como resultado de conhecimento técnico


O conjunto de estratégias adotadas pela Concrebras evidencia que a durabilidade do concreto vai além da resistência inicial. Ela é resultado da aplicação de engenharia avançada, aliada ao controle térmico, ao monitoramento contínuo e a uma cura adequada, assegurando desempenho e vida útil prolongados às estruturas.


A Concrebras utiliza de forma integrada adições especiais, como sílica ativa, metacaulim, gelo e nitrogênio, aliadas a análises que consideram todos os fatores que influenciam o comportamento térmico do concreto. Segundo o especialista, esses materiais são essenciais para reduzir o pico térmico durante o endurecimento, mas sua aplicação exige precisão e estudos aprofundados.


Em obras com grandes volumes de concreto, cálculos prévios do comportamento térmico são indispensáveis. Com base nesses estudos, a Concrebras define os ajustes necessários de formulação e processo para manter a temperatura dentro dos limites seguros.


Essa abordagem evidencia que o concreto não deve ser tratado como uma matéria-prima padronizada, mas como um sistema técnico complexo, cuja durabilidade depende de decisões conscientes e controle rigoroso em todas as etapas. O entendimento adequado da DEF, da influência da temperatura e da adoção de medidas preventivas transforma o concreto não apenas em material de construção, mas em uma estrutura segura, durável e confiável.

 

“Instalamos equipamentos de monitoramento de temperatura para garantir que os limites térmicos não sejam ultrapassados. Esse controle é decisivo para assegurar desempenho e durabilidade”, afirma Christófolli.

 

 

 
 
 
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